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  • Foto do escritorBruna Brum

Sobre ansiedade

Atualizado: 7 de jun. de 2020

Ansiedade é, antes de mais nada, uma emoção natural, algo que todo mundo sente. Isso porque ela faz parte da forma como o seu organismo se prepara diante das situações de algum perigo – seja um perigo real, ou seja um perigo imaginário.



Nesse sentido, a reação de ansiedade é a forma do seu corpo entrar no estado de alerta. Quando a gente se sente ansioso, na verdade, uma área muito importante no nosso corpo, ligada ao sistema nervoso central e chamada de sistema nervoso simpático, se ativa.


Dessa forma, levando sangue para a nossa musculatura para que a gente possa correr, acelerando o nosso batimento cardíaco, acelerando a nossa circulação de sangue e recrutando toda a nossa atenção para perigos. Porque a ansiedade é a forma do corpo de lidar com perigos!


E é por isso que às vezes dá aquele frio na barriga, isso é um sinal de que o sangue está vindo dos órgãos internos e do sistema digestório para a musculatura – para você poder lutar, fugir ou congelar. E quem nunca congelou de ansiedade, né? Aquele aspecto de ficar travado do nada é o seu corpo – como ele faz e fez há milhares e milhares de anos – se preparando para fugir ou enfrentar um predador.


Por que sentimos ansiedade?


Contudo, no dia-a-dia, como nós seres humanos somos capazes de pensar no problema de amanhã “meu Deus, eu tenho que entregar aquele trabalho importante, eu vou ter que ter aquela conversa difícil em casa!”, a ansiedade deixa de ser algo que acontece no momento do perigo. E em vez disso, passa a ser uma reação do corpo a um perigo que está por vir ou a algo que a gente considera crítico mentalmente. Então, é possível ter uma reação de ansiedade a algo que não está acontecendo agora.


“Ah, como vai ser daqui a um ano, quando esse contrato que está sustentando acabar?!”, “Como vai ser daqui a dez anos quando eu for ter filho?!” No entanto, a gente consegue ter ansiedade não só pelo futuro, mas também ansiedade pelo passado, quando a gente relembra de situações difíceis e se sente ativado diante daquele perigo.


Essa capacidade humana de imaginar o mundo, olhar para todos os lados e construir uma realidade tem esse lado e esse preço muitas vezes difícil, que é o de gerar ansiedade – mesmo quando absolutamente tudo está muito bem.


E é por isso que quase todo mundo se diz ansioso nos dias de hoje. Porque com a quantidade de tarefas que a gente tem para fazer, é fácil se sentir ansioso e estar preocupado com o que você precisa resolver até amanhã.


Como saber se estou com ansiedade?


Quando a gente fala em ansiedade clínica, dentro da perspectiva psicológica, a gente já está falando de uma presença muito intensa dessa emoção e muito frequente. Porque diferente da ansiedade que vem de um susto que você leva – que dá aquele efeito de ansiedade, mas rapidamente passa -, a ansiedade gerada por memórias ou por preocupações com o futuro pode não soltar você em momento algum.


Dessa forma, você pode desenvolver transtornos, como o transtorno de ansiedade generalizada, em que você está sempre ansioso. E você pode ter ansiedade relacionada a certas situações que são essenciais para o dia-a-dia, como a ansiedade social ou a fobia social.


A verdade é que, quando a ansiedade deixa de ser uma emoção que ajuda você a se preparar para um perigo e para o futuro, e passa a ser um estado constante da sua vida ou a limitar a sua participação no mundo, ela se torna um problema.


Ciclo da evitação da ansiedade


Para entender esse problema da ansiedade, também é importante entender a lógica do ciclo da evitação. O ciclo da evitação é o seguinte: vamos imaginar que você é uma pessoa que tem ansiedade para sair de casa. E é muito difícil para você pensar que vai ter que ir ao mercado amanhã.


Então, você pensa que vai ter que ir ao mercado e já dá aquele efeito de ansiedade. Por isso, na hora de ir ao mercado, você sente ansiedade e, em vez de ir ao mercado, você resolve ficar em casa. E o que acontece naquele exato momento? Naquele exato momento, você sente um alívio, que é o alívio de não precisar ir no mercado. Ou seja, aquele problema, pelo menos por agora, acabou.


Mas o que vai acontecer amanhã quando você precisar ir ao mercado?


Você vai se sentir ainda mais ansiedade! Porque quando você evitou de ir até o mercado em função do ciclo da ansiedade, você ensinou para seu organismo que fazia sentido ter ansiedade naquele momento. E isso vai fazer com que ela venha ainda mais forte e, de repente, pode ser que você se sinta ansioso até de ir à portaria do seu prédio.


“Meu Deus, mas a portaria não é tão diferente assim de ir ao mercado.” E quando vê, você já está ansioso – e isso vai reduzindo o tamanho da sua vida. É o que acontece com muitas pessoas que têm fobia de sair de casa e o mesmo processo pode acontecer com alguém que tem fobia social.


No começo o difícil era só conhecer novas pessoas, mas você vai fugindo dessa situação ao ponto de que lá pelas tantas você já está com ansiedade de falar com os seus amigos no telefone, só consegue mandar mensagem. Dessa forma, você vai se recolhendo cada vez mais e a ansiedade vai ficando cada vez mais forte.


Como quebrar o ciclo da ansiedade?


Enfrentando o passo inicial disso que está gerando ansiedade para você. Então, se está muito difícil sair de casa para ir ao mercado, dá o primeiro passo: chama alguém da sua família para ir com você; vai até a esquina de casa, respira ali na esquina e vê se está muito difícil continuar. Se continuar muito difícil, volta para casa; e se não estiver mais tão difícil, continue, porque eu aposto com você que a tendência é baixar o nível de ansiedade ao passo que você enfrenta ela.


Se você não começar a fazer os movimentos nessa direção, você não quebra o ciclo. Em compensação, se você faz os movimentos, o ciclo vai se quebrando e você vai se aproximando do que é importante para você.


Causas da ansiedade


Começando que a ansiedade “emoção” é diferente de ansiedade “transtorno”, vamos falar de ansiedade transtorno, ok? A causa inicial da ansiedade é você ter, felizmente e graças à evolução humana, esse mecanismo de se preparar para o perigo, esse estado de alerta do seu corpo que ajuda você a enfrentar desafios no aqui e agora.


Afinal, foi ele que ajudou os seus ancestrais a fugirem de uma ameaça na natureza e te ajuda a estar ligado no mundo atual, que também tem os seus perigos.


Essa capacidade, quando é ativada com muita frequência pela nossa ansiedade vinda de preocupações virtuais – seja com passado ou futuro -, se torna de fato um transtorno.


Mas o que pode facilitar isso?


Pode ser uma predisposição genética, ou seja, naturalmente a pessoa já ficar mais alerta, com mais facilidade e intensidade – e ter mais dificuldade de deixar passar esse efeito de alerta da ansiedade. Também, pode ser um estilo de vida que tem hábitos de preocupação crônica ou uma rotina ansiogênica.


Por exemplo, o sono desregulado, a ausência de exercícios físicos, a má alimentação, a ausência da prática de meditação (ou de alguma técnica de controle e relaxamento dos níveis de ansiedade) etc.


E por fim, a ansiedade é o tipo do transtorno que se desenvolve quando você entra no ciclo de evitação e vai, aos poucos, se corroendo e reduzindo o seu espaço – até que ela se instale de maneira crônica.


Fonte: Eurekka.me

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